Sunday, April 29, 2007

Cidró, capim cidro e melissa

Ontem fui a feira ecológica do Bom Fim e fiquei surpreendida ao ver uma erva e perguntar pelo seu nome que era cidró, segundo a moça da banca. O dito cidró tem uma folha bem pequena e lancionada. Temos de ver bem as ervas e cheirá-las para conhecer. Mas eu achei que já havia a confusão popular em relação a erva-cidreira ou melissa, alguns também consideram o capim-cidró simplesmente cidró como seria meu caso. Para completar eu encontrei na pesquisa que fiz recentemente a denominação popular "eucalípto cidró". Isso é demais" Por isso seria importante dar nome aos bois através do nome científico.

Estou a horas querendo colocar aqui a Melissa ou Erva Cidreira, valha-me Melissa oficinalis, com uma enorme reputação, pois é a mais civilizada destas criaturas, embora eu goste mais do capim.




imagens e texto: http:www.jardimdeflores.com.br

Melissa oficinalis

Por: Rose Aielo Blanco

Conhecida popularmente como melissa, erva-cidreira verdadeira, melissa romana ou chá da França, a Melissa officinalis é comumente confundida com outra erva, também medicinal. Diz a lenda que a melissa recebeu este nome em homenagem à ninfa grega Melona (em grego "Mellona"), protetora das abelhas. E a relação da planta com as abelhas é realmente muito interessante: na primavera, quando nascem várias rainhas numa mesma colméia, o enxame se divide em vários menores e cada um sai em busca de uma nova colméia. Como a melissa tem o poder de atrair as abelhas, povos antigos colocavam suas folhas frescas trituradas em colméias vazias para atrair os enxames que estavam migrando.


No Brasil, existem inúmeras plantas conhecidas pelo nome comum de "erva-cidreira", mas é com uma outra erva medicinal - o capim-limão ou "lemon-grass" (Cymbopogon citratus) - que a confusão é maior. Existem até folhas secas de capim-limão embaladas e comercializadas com o nome de erva-cidreira, para o preparo de chás calmantes. Na verdade, os pesquisadores têm estudado as propriedades medicinais do capim-limão para amenizar problemas digestivos. Calmante mesmo é a melissa.Para acabar de vez com a confusão, é só observar as duas plantas, pois elas são bem diferentes: enquanto o capim-limão apresenta folhas estreitas, longas e lanceoladas, a melissa produz folhas grandes, ovais, pecioladas, serrilhadas e com nervuras salientes.


A melissa é uma planta da família das Labiadas, arbustiva e pode atingir de 20 a 80 cm de altura. Os caules, ramificados a partir da base, formam touceiras. As folhas são de um verde intenso na parte superior e verde-claro na parte inferior. As flores, quando surgem, são brancas ou amareladas, podendo se tornar rosadas com o passar do tempo. Toda a planta emana um odor semelhante ao do limão, que torna-se mais intenso depois que a planta seca. Sempre se acreditou nos poderes calmantes da melissa. Na aromaterapia, ela alivia as tensões e, juntamente com rosa e o neróli, é um dos óleos atuantes nas vibrações ligadas ao coração. Acredita-se que a melissa apresenta inúmeras propriedades medicinais: é usada para diminuir gases e cólicas, estimula a transpiração, é calmante, sedativa, digestiva, age contra a insônia, enxaqueca, tensão nervosa, ansiedade e ajuda nos casos de traumatismo emocional.


As folhas frescas da melissa são utilizadas para preparar o "álcool de melissa composto", obtido por destilação das folhas e outros materiais aromáticos (canela, cidra, etc.), com álcool mais ou menos diluído. Em alguns locais, este preparado também é conhecido como "água de melissa".

Aloysia triplylla ou Lippia citriodora
Pouco calor e muito sol é a receita



Melissa officinalis


Planta originária da região que circunda o mediterrâneo e também a Ásia, prefere climas temperados tendendo para quentes. Multiplica-se por meio de sementes, divisão de touceiras ou por estaquia. A divisão de touceiras deve ser feita de preferência na primavera e, no momento do plantio, as partes retiradas da planta-mãe devem ser enterradas com cerca de 5 cm de profundidade. Na divisão de cada planta, deve-se dividir também o rizoma. Em geral, a planta necessita de muita luz solar, mas deve-se evitar o excesso de calor.


A melissa pode se desenvolver também em locais parcialmente sombreados, protegidos contra geadas e frio excessivo. Para ter sucesso no cultivo, recomenda-se usar solos ricos em matéria orgânica, com boa umidade, porém drenados e sem encharcamentos. A adubação, com fertilizantes como esterco curtido ou composto orgânico, deve ser repetida a cada ano.
E para quem acredita nos poderes calmantes desta planta, não custa nada experimentar um relaxante banho com folhas de melissa: faça uma infusão com folhas e flores de melissa em um litro de água e despeje numa banheira ou deixe a infusão amornar e use-a no final do banho de chuveiro. Além de calmante, você terá um delicioso banho perfumado! "


Rose Aielo Blanco é jornalista e editora do site

http://www.jardimdeflores.com.br/

fonte das imagens e texto acima

Ah, mas tem o

Aloysia triphylla ou

Lippia citriodora

Cidró é pop

E estes nomes são os nomes científicos daquele que comumente pode ser chamado de cidró conforme me lembro agora, pensando bem, com o que aprendi com minha falecida tia, conhecedora de ervas, que faleceu. Um de seus poucos livros eu tomei com carinho para mim após o seu falecimento está em mãos. Foi uma de suas últimas aquisições antes de deixar este mundo. Neste livro o cidró está sendo chamado de erva-cidreira e não está errado propriamente, pois o chamar cidró de erva-cidreira faz parte do dialeto gaúcho. Mas, a estas alturas eu chamo a Lipia citriodora de Cidró e se tivesse uma filha colocaria nela este lindo nome, mais bonito do que Melissa, pois já tem as melissinhas que a gente usa nos pés.

A Lípia é uma plantinha originária aqui mesmo da América do Sul e não é de origem européia como a Melissa e é cultivada na Europa para fins medicinais e ornamentais. O cheirinho também é parecido com o de limão de onde vem este nome cidró, comum a estas ervas tão aromáticas (odora- que nome mais bonito)


imagem: http://www.aroma-zone.com/

O uso pop do Cidró é parecidíssimo com o uso das outras, tanto que de memória a gente não se lembra de diferenças terapéuticas de modo geral:

Uso interno como DIGESTIVA, ESTIMULANTE, TÔNICA, ANTIESPASMÓDICA, CARMINATIVA, EUPÉPTICA e CALMANTE.

Como no caso do capim cidró, ou ciclonela do Cidró também é estraído um óleo essencial. Esse é constituído de citral que tem ação bacteriostática. (não há referências a espantar insetos como no caso da ciclonela)

Fonte: com base no livro:

PLANTAS da MEDICINA POPULAR DO RIO GRANDE DO SUL

de Cláudia Mª Oliveria Simões

Lilian Auler Mentz

Eloir Paulo Schenzel

Bruno Edgar Irgang

João Renato Stehamann

A IMAGEM COLOCADA EM RELAÇÃO AO CIDRÓ é do site francês:

http://www.aroma-zone.com/

Peço encarecidamente aos comerciantes de ervas que cuidem bem usar a nomenclatura mais apropriada possível para estas ervas, sempre escrevendo nas embalágens o nome científico, pois o cidró é bastante chamado de erva-cidreira no Rio Grande do Sul, que eu saiba e é mais confundido com o capim cidreira ou ciclonela, o qual deveria ser inconfundível, sendo completamente diferente (recentemente postei sobre esta erva). As pessoas que precisam destas ervas por estarem nervosas ficam mais nervosas ainda com a confusão na nomenclatura, comprando gato por lebre. E chega um cara que ainda diz: "Mas, dá na mesma...Ah, tudo a mesma coisa. Tudo prôs nervo..." Xiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!! Na hora de tomar o chá, não briguem.